Consagrado em Espanha nos anos 80, fazendo, então, parte do grupo Os Coyotes, Vitor Coyote mantém nos dias de hoje bem viva a sua actividade musical, somando a isso, um distinto trabalho cinematográfico, que já lhe valeu a realização de dois documentários. O multifacetado artista marcará presença em Portugal entre 9 e 11 de Maio, cumprindo um programa intenso pela Fnac (Porto, Braga e Coimbra) e um concerto no Mutantes, um bar situado na Invicta.
Vitor Coyote dispensa apresentações em Espanha e, sobretudo, na Galiza. Natural de Tui, encontra-se radicado em Madrid, mas continua a desenvolver um trabalho artístico admiravelmente transversal, entre a música, o cinema, as artes gráficas ou a literatura. Mas a expressão máxima da sua criatividade assenta mesmo na música e cinema. No domínio dos documentários, o seu olhar tem estado centrado no fenómeno da raia - ligação fronteiriça Portugal-Galiza: Só Concertinas e Trabalhadores do Contrabando são os títulos das duas obras, que serão exibidas na Fnac Norte Shopping (dia 9, às 18h30), Fnac Braga (dia 10, às 22h00) e Fnac Coimbra (dia 11, às 17h00) espaços que também vão acolher o formato acústico de uma actuação em solitário de Vitor Coyote, apresentado o disco «A qué viene ahora silbar?», que também terá honras de exposição no Mutantes, no dia 9, concerto este aprazado para a 00h00, seguindo-se Dj Rockin Lemur e Dj Vertigo na cabine de som. A trajectória musical de Vitor Coyote é larga. Começou nos anos 80, no momento em que estalava a chamada «Movida Madrileña». Los Coyotes, o grupo do inquieto Vitor Coyote, fizeram-se muito conhecidos na cena«punkabilly» da época, mas três anos mais tarde, já caia por terra essa reputação à custa de ritmos latinos e teorias panamericanistas. Nessa etapa da carreira, triunfou um ideal musical, que logo faria ter sucesso outros artistas, apelidado de «horterismo com classe» nuns casos, ou de «compromisso político-turístico» em outros. Desta época resultaram os êxitos «Cien Guitarras» ou «Esta Noche me Voy a Bailar».
Los Coyotes dissolveram-se em 1991 e Vitor começou uma carreira em solitário caracterizada por tudo o que havia defendido no grupo: coerência na incoerência musical. Isto é, tentar não aborrecer o público e tentar fazer com o público se sentisse contagiado pelas suas piruetas, derivações de direcção e acelerações. Tudo isto faz com que a sua carreira esteja longe de ser homogénea. No seu percurso a solo podem-se destacar um disco que mistura funk com o espírito do nordeste do Brasil (Lo Bueno Dentro) ou uma experiência electro-rock com contrabaixo (Lucha de Migajas) e um pequeno cd de excelentes canções Powerpop, mais próprio de um grupo do que de um cantor (A qué viene ahora silbar?). A próxima aposta que prepara Vitor Coyote é um disco intimista, dramático, e «anti-folk», que se chamará provavelmente «Cantar Destrói». Aqui ficam registadas as sinopses dos dois documentários de Vítor Coyote, que poderão ser apreciados nos fóruns da Fnac, no Norte Shopping, Braga e Coimbra: Só Concertinas, de Vitor Coyote A concertina (acordeão diatónico) é o instrumento omnipresente em todas as manifestações do folclore popular na região fronteiriça do Minho, no norte de Portugal. Com ela fabricou-se uma música demasiado simples, algo desprestigiada, demasiado «emigrante», demasiado estridente, demasiado monoinstrumental e totalmente desconhecida fora de Portugal. Mas todos estes «demasiados» ocultam o seu lado festivo, virtuoso, sincero e vivo. Trabalhadores do Contrabando, de Vitor Coyote A derradeira corrente do Rio Minho delimita a fronteira entre Espanha e Portugal. Em tempos difíceis, o modo de sobreviver passava necessariamente pelo contrabando. As carências de um país destroçado pela guerra civil suprimiam-se com as mercadorias que se cruzavam pelo rio de forma clandestina. Durante os anos cinquenta, sessenta e setenta, as situações, produtos e métodos foram variando. Muita gente, em aldeias e povoações dos dois lados da fronteira, conciliava o trabalho no campo com outra ocupação, quase sempre nocturna: descarregar, vigiar, transportar. Eram os Trabalhadores do Contrabando.
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