Abriu com casa cheia o Fantasporto 2008, para uma recepção bem calorosa ao novo e soberbo filme dos irmãos Coen (Joel e Ethan), galardoado com quatro óscares de Hollywood em véspera de ante-estreia, em Portugal. Foi de facto empolgante a exibição de No Country for Old Men, mas grandiosa foi também a homenagem presenteada a um vulto da sétima arte: o actor Max Von Sydow, que recebeu o prémio carreira, atribuído pela organização do Fantasporto. Estes foram, efectivamente, os momentos mais destacados do primeiro dia da 28ª edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto, que irá prosseguir com casa mãe no Teatro Rivoli, até 9 de Março.
Já rola mais uma edição do Fantasporto - a 28ª - número sintomático da implementação do evento na cidade do Porto e em Portugal, mas também invocativo da sua projecção à escala internacional. Por estas razões, mas sobretudo pelo inegável peso de uma história construída à custa de uma persistente luta, foram notórios e contundentes os reparos lançados ao Estado, pelo reduzido apoio prestado ao Fantasporto. Com intervenções de Mário Dorminski e Beatriz Pacheco Pereira foi lançado o festival, proporcionando-se a homenagem a Max Von Sydow, actor sueco de 80 anos, projectado para a ribalta por Ingmar Bergman, e que será especialmente recordado para os anais das história pelo papel de sacerdote desempenhado em «O Exorcista» de William Friedkin. Figura ainda hoje bem activa no campo da representação, Max Von Sydow ofereceu à assistência palavras curiosas, direccionando diversos elogios.  Max Von Sydow «Tudo depende de oportunidades. Eu felizmente pude contar com elas, por estar à hora certa no local certo. Tenho que partilhar este prémio com duas pessoas que foram fundamentais - o Ingmar Bergman, que acreditou em mim e o William Friedkin, que me deu a maior audiência - mas tenho também de o partilhar com todos aqueles que não tiveram a mesma sorte nas oportunidades. Deixo também o meu grande louvor ao Fantasporto, que permite dar maior visibilidade a um certo tipo de cinema, que não desfruta de tantas possibilidades para se propagar», disse, visivelmente contagiado por alguma emoção, mas por igual boa disposição, tão bem ilustrada nas suas primeiras palavras, após monumental ovação: «Não sei se mereço tanto», disse, antes de tecer uma alusão à reputação adquirida na pele de sacerdote em «O Exorcista». «Foi realmente o filme que me permitiu chegar a uma maior audiência e ficar conhecido das pessoas por ter feito de exorcista. Mas que fique claro que sou nenhum exorcista», gracejou. Feita a atribuição do prémio carreira a Max Von Sydow, foi hora de abrir oficialmente o pano à sessão de abertura do Fantasporto, que não podia ter ficado rodeada de contexto mais favorável. Anunciado desde há largas semanas para abrir o festival, o filme «No Country for Old Men», de Joel e Ethan Coen, teve ante-estreia em Portugal tremendamente concorrida, situação justificada pela conquista de quatro Óscares: melhor filme, melhor realizador, melhor actor secundário e melhor argumento adaptado foram, por excelência, registos que vieram aumentar a curiosidade em torno da mais recente obra dos irmãos Coen, autores, entre outros, de Blood Simple, Miller's Crossing, Barton Fink, Fargo, The Big Lebowski, ou O Brother, Where Art Thou?. Em No Country for Old Men, traduzido por Este País não é para Velhos, os Coen assinam mais um trabalho fenomenal, um thriller intenso carregado de personagens fortes e diálogos desconcertantes, tão lacónicos quanto irónicos. Tudo isto, tendo como cenário uma pequena vila do Texas arrasada por um vendaval de mortes. São vários os rasgos brilhantes, mas a interpretação do espanhol Javier Bardem é realmente de deixar água na boca.
Os próximos dias do Fantasporto prometem emoções fortes, bem ao gosto dos apreciadores de cinema fantástico, que poderão desfrutar, sobretudo, do melhor do cinema da Dinamarca. Em grande montra volta a estar o cinema asiático, em particular, o realizador japonês Takashi Miike. Nesta primeira semana do Fantasporto haverá oportunidade para os interessados conhecerem parte significativa da sua obra, como Audition, Dead or Alive, Ichi the Killer ou Full Metal Yakuza. Entretanto, e apesar de algum atraso na definição do cartaz, estão já designados os nomes dos artistas que vão estar em palco em mais uma noite do Baile dos Vampiros, que será realizada no próximo dia 8 de Março, no Teatro Sá da Bandeira, sendo cabeça de cartaz o austríaco Markus Kienzl, membro dos Sofa Surfers. Os portugueses Micro Audio Waves e os Sizo também figuram neste festim vampiresco, uma vez mais especialmente dedicado à música electrónica.
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Abertura do Fantasporto com boa notícia
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