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Pese a sua pequenez e alguma interioridade, Valga atraiu no passado fim-de-semana muitas atenções, não estivesse em causa a primeira edição do Festival Artenativa. Se na sexta-feira marcaram presença os Colectivo Oruga e os Nadadora, foi sábado, já com testemunho da Audiência Zero, que o evento teve o seu dia grande, embora a adesão do público tenha ficado aquém do pretendido. 6PM, Triangulo de Amor Bizarro e The Homens foram os verdadeiros pratos fortes do festival.
Festival de incontáveis méritos em Valga, fruto de apostas exclusivamente extraídas do actual e bem desperto panorama musical galego. Um enorme voto de louvor merece desde já esta organização, liderada pela Associação «Os Penoucos», que depois desta amostra, alimenta-nos a expectativa de servir em anos vindouros novo e requintado banquete dos melhores projectos musicais que crescem na Galiza. Curiosamente, a Audiência Zero expressa ainda mais sintonia com esta primeira edição do Artenativa, pois por lá passaram cinco grupos movimentados pelo projecto do Eixo Norte-Galiza. Na sexta-feira, os Colectivo Oruga tiveram a seu cargo o fecho da primeira noite de concertos, na qual também são de destacar os concertos de Jugoplastika e Nadadora.  Leo I Arremecaghona Foi, contudo, o segundo dia do Artenativa que motivou mais um passeio a terras galegas da Audiência Zero. 6PM, Triangulo de Amor Bizarro e The Homens eram grupos que era imperioso ver, pela excelência do respectivo repertório, e pela boa ligação mantida com os membros de todos estes projectos, tal e qual como com os Noise Project, os anfitriões de toda a grande festa preparada em Valga. Antes de tudo, subiu ao palco uma primeira espécie bizarra - Leo I Arremecaghona - que mostrou ao vivo todas as particularidades do seu projecto. Um cantautor punk espirituoso e provocante, capaz de nos deleitar com uma tremenda paródia musical, mas extremamente fiel à Galiza, à sua língua, tradições e indumentária. Um espectáculo divertido de permanente ligação com o público presente.  Noise Project O público foi crescendo com o avançar das horas, mas em, momento algum, esteve perto de corresponder aos anseios da organização. Os locais Noise Project representaram acto seguinte no alinhamento do cartaz e ofereceram também eles uma actuação sólida. A partir desta altura fervia expectativa com os grupos ainda em falta. E o encantamento pleno chegou com os 6PM, autores de um álbum delicioso em 2006 - Far from Perfect - recheado de temas a roçarem a perfeição. Ao vivo deixam a plateia siderada pelo virtuosismo que transmitem, enchendo o palco com oito instrumentos, resultando de todas eles uma harmonia imensa e contagiante. Fica, no entanto, a sensação, que o som dos 6PM atinge o seu auge em recinto fechado, naturalmente pelo grau de intimidade que promove.  6PM Depois do registo sereno e bucólico dos 6PM, todo o frenesim palpitante direccionava-se para a entrada em palco dos Triangulo de Amor Bizarro. O excitante trio galego conseguiu explanar ao máximo a sua face ruidosa em Valga, actuando para um público bem mais ligado à sua música em relação ao verificado no concerto recente da Corunha. Foram brutais, com idêntica certeza que estavam à mercê de olhares de amigos de longa data de Boiro e Rianxo, cidades próximas de Valga das quais são oriundos Rodrigo e Isa, guitarrista e baixista, que partilham as vocalizações nos Triangulo de Amor Bizarro. Por isso mesmo, a banda pediu recuo da barra de protecção e recebeu feedback pronto com a agitação de algumas dezenas de seguidores, que formaram uma linha da frente forte e enérgica, entoando não raras vezes alguns dos refrões mais simbólicos e afirmativos do grupo, como «Llevar navaja siempre es conveniente», «Lo mejor sítio para descansar es la universidade», «Portaios bien Hijos de Puta, Jesus os Mira desde Las Alturas», ou «Lo malo de Gobierno es que gobierna», isto já na letra mais agressiva respeitante ao tema «Isa vs Partido Humanista», cantada em jeito de desafio por uma intratável Isa.  Triangulo de Amor Bizarro Para finalizar uma noite incendiada com mais um concerto bombástico dos Triangulo de Amor Bizarro, os The Homens foram a banda chamada a encerrar o Artenativa, após desfrute de uma tarde com muito estilo a convidar a fama. Uma sessão fotográfica prendeu o trio de Santiago de Compostela durante cinco horas em praias de Vigo, sob comando minucioso de Janite Lafuente. A Valga chegaram devidamente aperaltados para darem a conhecer as músicas que vão constituir o novo álbum, que deve ser lançado até final do ano. Martinho (voz e guitarra), Roi (baixo) e Xocas (bateria) mantêm segura a roupagem musical dos anteriores trabalhos e juntam-lhe apontamentos mais melódicos, que os devem a levar a palcos mais cintilantes de Espanha, e a Portugal seguramente também. A Audiência Zero cá os espera para mais, tais como os 6PM (estejam atentos já a partir de Novembro), e claro está, os Triangulo de Amor Bizarro para renovadas descargas de indie rock selvagem.  The Homens
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