Está patente até dia 4 de Julho, no Museu Nogueira da Silva, em Braga, a exposição “Esculturas e Desenhos” de Virgínio Moutinho. Partindo de um conceito de reciclagem e reaproveitamento de diferentes materiais, como a madeira, o metal e o papel, o arquitecto constrói objectos animados, onde a forma e o humor se fundem, provocando, na interacção com o público, o efeito surpresa e o retorno ao passado pela semelhança com os antigos brinquedos manufacturados.
Desde criança que Virgínio Moutinho constrói os seus próprios brinquedos, utilizando desperdícios de inúmeros materiais, e colecciona outros, também manufacturados, verdadeiras relíquias numa actualidade de produção estandardizada.
Arquitecto de formação, nascido na década de 50, Virgínio mantém esta actividade em paralelo à arquitectura. Numa fase inicial, os seus objectos aproximavam-se dos brinquedos populares, tendo evoluído no plano construtivo e conceptual para objectos de carácter mais lúdicos, articulados, esculturas com movimento, numa franca aproximação à arte cinética. O Circo de Calder, os Fantoches de Paul Klee ou as esculturas de Picasso identificam-se como referências.
Nesta colectânea de peças de brincar, acompanhadas dos desenhos de projecto e esquissos do autor, simulam-se cenas do quotidiano, do mundo do espectáculo e de todo um universo onírico, que surge como uma sequência, pronta a explorar. Os visitantes são convidados a interagir com as peças, a puxar alavancas, a girar roldanas, a esticar fios, enfim... a perceberam como as coisas funcionam e se movem pela simplicidade e beleza exposta dos diferentes mecanismos inventados pelo artista.
 Virgínio Moutinho, CanCan, 1998
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