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Marcada para os momentos anteriores à divulgação dos premiados do PrimeirOlhar, a Masterclass de António Loja Neves transformou-se numa conversa que atravessou alguns dos temas mais importantes dos Encontros, desde as questões éticas inerentes à práctica do documentário até ao futuro dos Encontros e o destaque que estes podem assumir na exploração teórica do documentário português.
De certa forma, uma parte do discurso parecia dirigida aos alunos das escolas de cinema e outra parte à própria organização. Assim, as questões éticas pareciam endereçadas àqueles que, no futuro, se espera que venham a ocupar lugares de destaque no documentário português. Uma preocupação constante de António Loja Neves foi a de se referir ao documentário englobando todo o processo, o visível e o invisível, e não apenas aquele que é visível no produto final. Neste sentido, se o documentarista não for capaz do exercício da humildade e honestidade perante as suas personagens, dificilmente pode esperar do seu filme uma obra completa e digna. Numa perspectiva holística, António Loja Neves, referiu inclusive que a má impressão deixada em determinado local por uma equipa de rodagem, repercutir-se-á sobre todas as equipas que regressarão a esse mesmo local, e, consequentemente, sobre todo o biossistema do documentário português.  António Loja Neves
A parte do discurso dirigido à organização dos Encontros consistia numa espécie de desafio ambicioso. Para além do evento enquanto festival de cinema, António Loja Neves dirigiu-se sobretudo à faceta de encontro de trabalhos dos próprios Encontros. Como tal, se se deseja uma afirmação e construção teórica em torno dos temas do ensino da arte cinematográfica e de questões gerais do documentário geral, convém que esta seja um trabalho de investigação contínuo. Assim, a ideia de António Loja Neves, não especificando formas, remete para a necessidade de extravasar a semana em que decorrem os Encontros. A ideia de uma tertúlia encontra-se presente, embora seja difícil prever a rectidão dos seus resultados, e formatos de discussão que incluam a Internet são também válidos. Contudo, sob qualquer forma, a mensagem de Lojas Neves visa garantir que o movimento de ideias não se resuma aos dias dos Encontros. Para a organização dos Encontros, estas ideias são, de certa forma, um convite a que os Encontros afirmem todo o seu potencial, quer pela experiência acumulada e pela posição adquirida, quer pelo seu lugar central no eixo que desce desde a Galiza e atravessa todo o Portugal.
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