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O Fantasporto tem uma tradição especial quanto ao cinema asiático. Tal não se deve apenas ao estilo asiático ser coerente com o estilo «fantástico» do festival, mas também à difícil introdução desta cinematografia em Portugal. Na realidade, o Fantasporto é um dos pioneiros da chegada a Portugal do cinema asiático moderno e a prová-lo está a Secção Orient Express.
Ao contrário de outros casos, aqui o destaque é fácil de atribuir. Ele vai por inteiro para The Host, filme que terá sido o maior sucesso de bilheteira na Ásia nos últimos anos. Trata-se dum filme coreano, na linha do intitulado «novo cinema coreano». Mostrou-se na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2006 e sobre ele a Variety disse ser um filme de monstros como nunca se fez. E de facto, The Host corre o sério risco de entrar para a galeria dos melhores filmes de monstros de sempre, tal é forma como baralha os géneros cinematográficos e as expectativas do espectador habituado a estes mesmos géneros. Bong Joon-Ho, o realizador, impõem a comédia nos momentos mais inoportunos e reduz uma ameaça mundial à jornada duma família para recuperar a jovem Hyun-seo das garras do monstro. O filme desdobra-se em metáforas sobre a própria Coreia do Sul e passa-se quase inteiramente debaixo de pontes e viadutos ou no interior de esgotos. Outro realizador conhecido é o japonês Satoshi Kon que fez sensação no Fantasporto nos anos 90 com um filme de animação chamado Perfect Blue. Agora adapta para Animé um romance de ficção científica de Yasutaka Tsuitui. O nome do filme é Paprika e versa sobre um novo aparelho de psicoterapia chamado DC Mini, através do qual um detective dos sonhos pode invadir os sonhos das pessoas e explorar os seus segredos inconscientes. O também habitual frequentador do Fantasporto, Kim Ki-duk, outro sul coreano, traz Time, o filme sobre o desencanto em que cai a relação dum jovem casal apaixonado. Re-Cycle, filme dos irmãos Pang – Oxide Pang Chun e Danny Pang -, é outro filme que passou por Cannes em 2006, desta feita na Selecção Oficial Un Certain Regard. A história começa quando o primeiro romance da jovem escritora Ting-Yin torna-se um best-seller no sudeste asiático. É uma comum história de amor. O filme inicia-se com a escritora a preparar o seu novo romance sobre forças sobrenaturais. Contudo, algo de estranho acontece e Ting-Yin percebe que a fronteira entre a realidade e a ficção da sua obra está a ser quebrada. Por estes filmes e ainda por outros, tais como Isabella – já referido noutro artigo-, esta é sem dúvida uma das secções mais saudáveis do Fantasporto, expondo uma cinematografia que ano após ano não pára de surpreender. Secção Orient Express - Isabella, de Ho Cheung Pang (Hong Kong)
- Love Phobia, de Kang Ji-Eun (Cor Sul)
- Paprika, de Satoshi Kon (Jap)
- Re-cycle, de Danny & Oxide Pang (Tai – Hong Kong – Chi)
- The Host, de Bong Joon-Ho (Cor Sul)
- The Promise, de Chen Kaigé (Chi – HK – Jap – Cor Sul)
- Time, de Kim Ki-Duk (Cor Sul)
- To Sir With Love, de Lim Dae-woon (Cor Sul)
- Wicked Flowers, de Torico (Jap)
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