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A Casa da Música alarga instalações no dia 24 e por um dia passará a ser também a casa do cinema. A culpa é do Fantasporto 2007 que tentou a Casa da Música a fazer um programa dedicado inteiramente à «banda sonora» e à música para a grande tela. Na realidade, não se trata apenas de juntar a música ao cinema, mas sim de juntar a música a qualquer tipo de imaginário visual. Aspecto acentuado pelo percurso de criação de Pedro e o Lobo, de Prokofiev, no qual o compositor cria um célebre conto musical a partir dum conto infantil.
 Sergei Prokofiev Nesta obra famosa, o método de Prokofiev foi atribuir instrumentos às vozes das personagens do conto. Assim, transforma-se o pato num oboé e o gato num clarinete, cabendo a cada personagem uma nova voz ditada pela personalidade do instrumento. Recentemente, Susan Templeton realizou uma excelente animação do Pedro e o Lobo que será exibida na Casa da Música , mas não é inocente a escolha duma obra com um percurso imaginativo tão peculiar como esta. Mais do que cinema, a ligação proposta aqui é entre o abstracto musical e as fórmulas do imaginário visual. O esforço de Prokofiev em impor ao visível a personalidade e a força de cada instrumento procurava moldar a realidade segundo um sentimento abstracto inexprimível por qualquer outro meio que não a música. Ora, essa é também a intenção e propósito de todo aquele que compõe uma «banda sonora» para um filme e deseja colocar-se algures entre passar despercebido e marcar pessoalmente o filme. Assim, o dia do cinema na Casa da Música a propósito do Fantasporto 2007 é 24 de Fevereiro. Às 18h00, na Sala Suggia, o filme Pedro e o Lobo, de Suzie Templeton, será exibido em estreia ibérica. Contudo, esta não se trata duma simples exibição. Pelo contrário, o Porto volta a receber um filme-concerto e dispõe duma orquestra para tal. A Orquestra Nacional do Porto será responsável por interpretar a obra de Prokofiev e conta ainda com a direcção musical de Mark Stephenson, maestro que desde o início acompanhou o filme, incluindo a sua première no Royal Albert Hall, em 2006. Quanto a Pedro e o Lobo, conta as aventuras do pequeno Pedro que corre para a floresta procurando os seus amigos e ignorando as ordens de seu avô. Surgem então diversas personagens como o gato com voz de clarinete, o pato com voz de oboé e o passarinho com voz de flauta.  Nuno Malo Já a sessão da noite – 21h00, Sala Suggia - é constituída por duas partes distintas. Inverteremos a ordem e falaremos primeiro da segunda parte, pois consistirá em nova projecção de Pedro e o Lobo, novamente com a Orquestra Nacional do Porto e a direcção musical de Mark Stephenson. Esta orquestra e este maestro ocupam-se também da primeira parte da noite, introduzindo o elemento da pura «banda sonora». Aqui contaremos com mais uma representação portuguesa, através da suite para o filme “The Celestine Prophecy”, composta por Nuno Malo, um madeirense compositor de bandas sonoras que reside em Los Angeles e inclusive já colaborou com alguns filmes portugueses. A sessão só ficará então completa quando forem interpretadas alguma suites de Bernard Herrmann, suites que dizem respeito a filmes conhecidos de Hitchcock como “The Man Who Knew Too Much”, “Marnie” e “Psycho”, onde a música é central no filme, impondo tanto o ritmo geral do filme como lançando-o para as famosas espirais de adrenalina que vemos, por exemplo, na cena do banho, em “Psycho”. Aliás, recordando essa cena é impossível não voltar a falar de “Pedro e o Lobo”, uma vez que tal como Prokofiev forçou o pato, o pássaro e o gato a expressarem-se apenas e tão só pela música, também Bernard Herrmann transporta para a «banda sonora» a força, impetuosidade e devaneio mental das múltiplas facadas dadas nessa cenas e combinadas com os gritos lancinantes de Janet Leigh. Quanto a Bernard Herrmann há que dizer que foi um compositor de «bandas sonoras» tão importante que, para além da estreita colaboração com Hitchcock, basta mencionar o primeiro e o último filme com o qual colaborou para ilustrar a sua notabilidade: “Citizen Kane”, em 1941, e “Táxi Driver”, em 1976. Por estes e por outros motivos esta foi a razão número dois para ir ao Fantasporto 2007. Trata-se dum dia diferente no festival e para os espectadores uma excelente oportunidade de visitarem a Casa da Música . dia 24 de Fevereiro (18h00)
Casa da Música – Sala Suggia “Pedro e o Lobo”, de Prokofiev, com projecção do filme de Suzie Templeton Orquestra Nacional do Porto com direcção musical de Mark Stephenson
Entrada: 5 euros.
dia 24 de Fevereiro (21h00)
Casa da Música – Sala Suggia Parte I Nuno Malo – Suite de “The Celestine Prophecy Bernard Hermann – Suites de “The Man Who Knew Too Much”, “Marnie” e “Psycho” Parte II “Pedro e o Lobo”, de Prokofiev, com projecção do filme de Suzie Templeton Orquestra Nacional do Porto com direcção musical de Mark Stephenson Entrada: 15 Euros
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